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As lições da safra norte-americana.
Fonte: Centeno Consultoria Empresarial | Postado em: 06/01/2014 - 10:09:55
 

Meu avô foi um agrônomo e agricultor que acumulou muitos sucessos ao londo do século passado, produzindo arroz nas várzeas do rio Camaquã, no Rio Grande do Sul. Ao longo deste período acumulou não só bons resultados, mas muita sabedoria de homem do campo. Uma das lições que aprendi com ele é a de que vale muito mais a pena aprender com a experiência dos outros do que sofrer a sua própria experiência. Um homem que se limita a aprender apenas por si só é um homem limitado!

Com esta mesma sabedoria, me ensinou que a cada safra deve-se colher não só o grão, mas também as lições que cada uma proporciona ao agricultor atento. Assim se acumula a sabedoria do homem do campo! 

Foi com estas lembranças de um saudoso avô que li e apreciei o artigo “As 5 Lições do Mercado de Grão Aprendidas em 2013¨, escrito por Sara Schafer, editora de negócios do site Ag Web e publicado no último dia 18 de dezembro. Para o proveito de meus leitores, compartilho abaixo estas lições, com minha tradução e comentários adicionais.

Lição #1: O melhor momento para vender seu grão foi ontem!
Num ano em que tudo indica que os estoques serão maiores e os preços estarão em queda, o melhor é sempre vender antes, sem apostar em fatores como clima ou especulações sobre oferta e demanda. O melhor é agir conforme os números e as tendências. Os agricultores norte-americanos que acreditaram na capacidade de sua agricultura de reagir aos revéses da safra (que não foram poucos), começaram a vender cedo, a preços em torno de USD 6,00/bu. Aqueles que não confiaram, especularam e tentaram tirar porveito dos reveses, estão hoje vendendo a pouco mais do que USD 4,00/bu , num processo de queda contínuo, com leves oscilações que nunca foram capazes de recuperar o terreno perdido. Quanto à soja, esta reagiu nos últimos 4 meses, porém ainda se mantém em patamares um pouco abaixo do início do ano. Quem deixou para especular com o futuro, correu o risco e não ganhou nada com isso. Esta é uma lição muito válida para 2014, pois os fundamentos mais uma vez indicam um ano de preços remuneradores mas com tendência de queda, principalmente em função da recuperação dos estoques de passagem no final da safra.

Lição #2: as culturas podem suportar muito mais stress do que imaginamos:
Tudo correu errado com o clima nesta última safra norte-americana: chuvas e atrasos no plantio, baixas temperatura em Julho (em pleno verão no hemisfério Norte) e um mês de Agosto seco e quente. Em pleno mês de Julho, apenas 12% das lavouras de milho do estado de Iowa estavam avaliadas como em excelente condições. Mesmo assim, na medida em que a safra avançava, as lavouras reagiram, e acabaram produzindo uma safra recorde. Nem mesmo este que lhes escreve acreditou nessa capacidade de reação. De fato o melhoramento e a genética trouxeram grande evolução às nossas plantas!

Lição #3: Nunca subestime um dragão faminto!
A demanda da China por proteína vegetal cresce de forma surpreendente, e o país, com sua milenar experiência comercial, aprendeu muito bem a operar como um grande comprador mundial, escondendo o jogo quando necesário e fazendo suas compras no momento certo, inluenciando o mercado mundial a seu favor. A recente reação nos preços da soja, após um longo declínio, deve-se em grande parte às reações do mercado ao aumento inesperado na demanda deste grande comprador. Porém, para muitos já era tarde: uma boa parte da safra já havia sido comercializada a preços mais baixos. Este certamente será um importante fator a ser considerado em 2014, pois o apetite do dragão não para de crescer!

Lição # 4: Os mercados mudam muito rápidamente:
Este ano nos ensinou sobre como as condições da economia mundial pode afetar a elasticidade da demanda de grãos. Por um lado, o mercado reagiu rápidamente na formação de preços em reação às variações nas estimativas da demanda, porém tem sido extremamente lento na reação desta demanda em função da queda nos preços, uma tendência cíclica ao longa da história do mercado globalizado de commodities. Numa situação de dificuldades econômicas, a especulação (preços) parece reagir muito mais rápidamente do que os fundamentos (oferta e demanda)! Em 2014 é bom manter um olho firme nas condições macro econômicas mundiais!

Lição #5: Os tempos do dinheiro fácil para a produção de grão parecem ter acabado.
Nos três anos anteriores a 2013, a maior parte dos agricultores que comercializaram seu grãos nos mercado futuros perderam dinheiro. Aparentemente, em termos de comercialização das safras, foi melhor não ter feito nada e esperado um pouco mais. Em 2013, conforme comentado na Lição #1, esta tendência se inverteu. A partir de agora, a não ser que aconteça alguma grande tragédia com as safras de algum importante produtor mundial, o mais recomendável será aproveitar os momentos de bons preços e antecipara a comercialização de sua produção enquanto estes preços durarem. Caso permenaça a normalidade das condições de produção, o ano de 2013 provávelmente será lembrado como o ano de transição do período de preços altos ocorrido entre 2010 a 2012.

A estas lições da safra norte-americana, gostaria de acrescentar mais uma, extremamente válida para nossos agricultores:

Lição #6: Capacidade é sinônimo de estabilidade.
Em nosso artigo de 9 de julho passado comentamos sobre a extraordinária capacidade da melhor frote de máquinas agrícolas do mundo, capaz de plantar 16,5 milhões de hectares de milho em uma semana, o equivalente a 74% da área plantada nesta última safra! Esta enorme capacidade foi uma das grandes responsáveis pela recuperação da safra norte-americana num ano de tantas dificuldades. Pouco se pode fazer contra as dificuldades climáticas ou em relação às condições macro econômicas, mas investir em capacidade é algo que depende exclusivamente da decisão de cada produtor, permitindo-lhe reagir melhor a estes fatores incontroláveis e propocionando uma melhor gestão dos riscos inerentes à atividade agrícola. Tudo indica que ainda teremos uma boa renda com esta safra que está no campo. Em 2014 pense muito bem sobre qual o melhor investimento para o capital que eventualmente tenha acumulado ao longo destes últimos anos da vacas gordas e prepare-se para o momentos difíceis que sempre sucedem os momentos de alta.

PENSE NISSO!

 

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